Para uma melhor Educação
O voto é uma exigência de nossa república federativa. Infelizmente é esse um dos raros momentos em que se dialoga, ou se discute a respeito da consciência, da maturidade e preparo de um jovem para decidir, por exemplo: quem serão os futuros líderes da nação brasileira. A questão de abertura aponta que, sendo essa uma preocupação há cerca de 40 anos, hoje, continua sendo um incômodo e a busca de informação na realidade, não tem transformado o aluno num indivíduo melhor pensante, mas talvez mais ocupado em seu tempo, ou seja, passados esses anos vemos pessoas jovens com toda uma vida pela frente, mas, sem perspectiva, sem consciência formada, sem informação estruturada com autonomia e isso não apenas referente a assuntos políticos, mas com relação a outras questões ou áreas da vida, principalmente uma das mais importantes a educação. Posturas equivocadas por parte de estudantes, como freqüentarem uma escola para formarem grupos, gangues, ou tão somente namorarem; propósitos de boicote as aulas como o ato de dar o cano em massa às sextas-feiras; o desrespeito generalizado à figura do profissional da educação bem como ao ser humano que ocupa um papel de relevância tão importante na sociedade – o professor; a visão exclusivista e aceptiva de mundo por parte daqueles que nasceram em condição privilegiada; conflitos extremamente violentos entre alunos a ponto de histórias serem finalizadas com assassinato; ausência principalmente do homem – o pai de família que não corresponde, não se interessa, nem se envolve na educação do filho-aluno, problemas como esses e tantos outros vemos surgir numa escala cada vez mais ascendente.
Concernente a educação é lamentável ver o regresso da mesma no gosto, aptidão ou disciplina individual de cada aluno; a busca própria, a escolha voluntária, apaixonada pelo saber... seria isso há algum tempo uma afirmação utópica ou verídica, ainda que restrita? Hoje, é bem verdade que a preocupação ou foco dos mecanismos de ensino está na formação do aluno diplomado e não do aluno que tenha autonomia, gosto próprio pelo saber. Uma das sugestões que podemos indicar apenas como passo incial de tantos outros a serem dados, parte de um princípio de soma de fatores que agreguem, que sejam positivos, que despertem o gosto e a espontaneidade pelo aprendizado, o saber com foco e visão para a aplicação do mesmo... Pensamos no tipo de ação conjunta entre governo, mestres, educandos e a própria família. Culpar as deficiências presentes na educação, escolhendo como responsáveis por tal, um ou dois elementos destes citados, seria buscar a solução de forma inadequada para um problema de complexidade mais profunda. O que achamos? Se nos fosse proposta a idéia que gera profundidade, compromisso, desprendimento, é claro não queremos que ninguém encare isso como indicação para o heroísmo, ou coisa do tipo. Podemos sonhar uma educação mais unificada? Uma corrente só é corrente por conta de cada elo. A educação tem as suas ramificações na família, governo, no saber dos mestres e na vida do próprio aluno. Uma educação que se utilizando dos meios mais diversos, tendo pessoas com personalidades tão distintas, tenha assim o foco de construir cidadãos,pessoas que não apenas tenham conteúdo mas que o tenham por serem conteúdo.
Propomos uma sugestão-desafio para o educador: Se o mesmo quer despertar o gosto pelo saber, a paixão pelo conhecimento, o preparo não apenas para uma carreira, mas para a vida, será que na prática, no desenrolar de cada dia o professor é de fato o que propaga como idéia ou proposta educadora? Que os mestres não se enganem ao pensarem que os seus alunos não são capazes de distinguir quem de fato é educador por propósito autônomo e quem apenas tem aparência de educador... os alunos sabem discernir! Aqui é claro não queremos dar a idéia de que o mestre deve ser aquilo que os outros determinem, ou exijam, mas ser alguém que coadune que inspire e transpire a meta, o propósito de educar! Via de regra é bom ressaltarmos que o ser humano tem por tendência se aproximar apenas de quem se faz confiável, próximo. Seria um absurdo propor que cada mestre desenvolvesse um senso de proximidade com seus alunos? Seria abusivo, ou ilusório sugerir aos mestres que pensassem em mecanismos de proximidade e os executassem junto aos seus alunos? Exemplo: seria exagerar propor a um mestre que separasse um domingo do mês para fazer um piquenique, promover roda de bate papo de uma forma que todo o ocorrido beirasse o mais espontâneo possível? Doutras vezes poderia haver a diversificação de atividades (esportes, teatros, musicas etc.) sendo essas associadas com o dialogo o mais próximo do espontâneo. Seria indispensável que projetos dessa natureza tivesse o aval e apoio do governo, através de infra-estrutura (locais adequados para execução de tais atividades) e recursos (fundos)para que os alunos mais carentes não ficassem excluídos desse projeto. Seria indispensável à conscientização dos pais dos alunos, o envolvimento desses nos projetos de proximidade (mestres-alunos). Uma boa educação começa no lar! Correlato a educação escolar, temos a educação familiar que também passa por uma desestruturação latente, área da sociedade que é delicada e que precisa de sérios reparos, mas é algo muito particular a cada indivíduo e exige conscientização e reparos próprios. Não queremos com isso insinuar ou dizer que o problema começa com os mestres, mas que a solução desses problemas de ordem educacional depende de mentes pensantes,críticas, construtivas, aquelas que de uma forma mais direta estão envolvidas com o aluno,e ninguém melhor que os professores para auxiliarem e encabeçarem rotas de mudança de curso, de direção na educação. Pessoas de visão mais estruturada, conscientizada e melhor experimentada a fim de viverem projetos que seja um verdadeiro contágio social, portanto, contamos que professores dispostos a inovar e inspirar sejam o ponto de partida para uma educação melhor.
Texto com base no documentário Pro dia nascer feliz.
De William Passos